quarta-feira, 11 de julho de 2007

ESPIRITO INDOMÁVEL

“ Aqui jazem 300, que cumpriram o seu dever”

O melhor exemplo de espírito indomável que se pode dar é referir a batalha de Termópilas (para quem viu o fantástico filme “300”...), onde 300 guerreiros espartanos, comandados pelo indomável Leónidas fizeram frente ao esmagador exército do Persa Xerxes (cerca de 1 milhão de homens).

A lição que daqui se pode tirar é de que independentemente do tamanho ou número do adversário, se confrontado com situações de injustiça ou de desrespeito pelos seus princípios, um taekwondoca honesto e modesto, enfrentará o beligerante sem qualquer medo ou hesitação e fá-lo-á com uma vontade devastadora e poderosíssima, enfrentando assim, situações que em caso “normal” lhe provocariam medo ou receio.

Este tipo de sentimento poderá e deverá ser aplicado à nossa vida pessoal. Todos os desafios devem ser enfrentados com máximo empenho e dedicação. Quer seja no aspecto profissional, onde devemos dar o melhor de nós em qualquer projecto apresentado, quer no aspecto pessoal, onde todas as situações do dia-a-dia devem ser enfrentadas de frente.

Por outro lado, todas relações inter-pessoais (vulgo, amizades e amores) devem ser respeitadas. A vida de um guerreiro é curta, por isso, o amor, a paixão e a amizade das relações, os sentimentos verdadeiramente puros, devem ser vividos com máxima intensidade e entrega total.

A compreensão deste sentimento é muito importante para a força interior de cada um. No fim de todas as batalhas, apenas sobrará um – NÓS.

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Mano, puto, este texto é para ti. És um espírito guerreiro. Enfrenta esse teu problema com espírito indomável e sem baixar os braços. E eu estou aqui para o que precisares. Abraço!!!

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Uma filosofia de vida - o que é isso?

Compreender o Taekwondo como uma filosofia é por si só complicado. E torna-se muito mais complicado quando se fala no Taekwondo como filosofia de vida. Tendo em conta a complexidade do assunto, o melhor que se pode fazer é dar uma opinião pessoal sobre o caso.

Do ponto de vista filosófico o Taekwondo não é um desporto nem é uma arte, é a relação cultivada ao longo do tempo que se estabelece entre o individuo e a arte, o seu mestre e os colegas. Toda essa relação, recíproca, representa o valor essencial da filosofia do Taekwondo. Por exemplo, se a pior das catástrofes se abatesse sobre um praticante, e ele perdesse tudo o que tem na vida – trabalho, dinheiro, familia, amigos – ele continuaria a ter o Taekwondo. Pois era algo que já teria interiorizado como fazendo parte dele, e isso ninguem lho poderia tirar.

Usando um termo comparativo – eu sou engenheiro civil, e se perdesse tudo – familia, amigos, etc – eu continuaria a saber ser engenheiro civil, pois perdi uma quantidade de tempo significativa em busca desse título e que não me foi oferecido por livre-arbitrio. Assim, será sempre algo que contribui para o que EU realmente sou. Com o Taekwondo passa-se exactamente o mesmo. O Taekwondo é uma relação que se estabelece com nós próprios. É uma relação de crescimento e desenvolvimento e é algo que jamais poderá ser retirado de nós. O Taekwondo é quem nós somos.

O QUE É O TAEKWONDO?

Esta é uma pergunta que pode ser respondida de inúmeras formas. Qualquer Mestre, instrutor ou praticante poderá responder a esta questão, como também se poderão encontrar respostas em diversos livros de Taekwondo. Porém o que pretendo é expor uma visão do que significa o Taekwondo do ponto de vista pessoal e consequentemente da filosofia que este implica.

Quando iniciei o treino de Taekwondo há alguns anos atrás fi-lo porque precisava de experimentar algo novo, um desporto diferente do comum futebol que tanto adoro, e mais ligado aos pontapés e socos, como arte de defesa. A ideia inicial que tive do Taekwondo como desporto, simples desporto, passou com os treinos e com a dedicação e rapidamente a sensação de ter encontrado um modo diferente de enfrentar a vida se apoderou de mim. Isto que aqui escrevo poderá parecer demagógico e utópico, mas na realidade é a melhor definição que se pode dar ao Taekwondo – uma filosofia de vida, um modo de estar.

Quando falo em filosofia de vida, não falo no Taekwondo como desporto, mas sim nas suas vertentes desportiva, marcial e histórica como um todo. Passo a explicar:

O treino é essencial e imprescindível, basta atentar na velha máxima – corpo são em mente sã – não haverá mente sã se o corpo não acompanhar a boa forma. Deste modo, a prática regular permite a evolução física e técnica da arte – a repetição aperfeiçoa e permite o incremento de confiança nas nossas capacidades físicas. Com um treino regular e disciplinado, há algo mais que se ganha – a vontade de treinar, algo que cada vez é mais difícil, quer seja devido à falta de tempo (a sociedade em que vivemos não dá tréguas, cada vez se trabalha mais e se “vive” de menos) quer seja devido ao facto de não nos disciplinar-mos nesta matéria (é preferível ficar em casa a ver TV, num claro estado de letargia sedentária a levantarmo-nos e libertar toda a tensão acumulada ao longo de um dia extenuante de trabalho).

Num outro extremo encontramos a parte marcial do Taekwondo que do meu ponto de vista não pode ser dissociado da vertente histórica pois estão intimamente ligados à cultura que lhes deu origem. Com os anos de ligação à cultura Coreana através do Taekwondo compreendi a riqueza do seu povo e da sua História. Os princípios que regem a nossa arte são extremamente verdadeiros e facilmente adaptáveis à nossa vida, ao nosso dia-a-dia. Não posso dizer que antes de ser um Taekwondoca, fosse uma pessoa muito diferente do que sou hoje, apenas via as coisa de modo diferente. Nunca fui mal-educado nem arrogante, nem poderia pois a minha educação não o permitiria, mas após tomar contacto com os princípios do Taekwondo moderno e de os por em prática no decorrer dos treinos e de os transportar para a minha vida, compreendi realmente o que eles queriam dizer e o que representam. Cortesia, modéstia, perseverança, integridade, auto-domínio e espírito indomável são princípios que integrei na minha vida como sendo meus próprios. Compreendi a cortesia – ser educado com todos e tratar todos com elevação e igualdade, independentemente da sua raça, etnia, sexo, idade e graduação. Compreendi a modéstia – nada no mundo é garantido, assim é necessário querer mais e aprender mais. Ser modesto e integro é ser equilibrado no julgamento. Nunca se sabe tudo e há sempre alguém disposto a transmitir algo novo, quer seja no nosso trabalho ou no treino. Por vezes aprende-se com quem menos se espera. Compreendi a perseverança com a repetição do treino – a repetição incessante das técnicas tornam-nos melhores, mais fortes, mais próximos da perfeição, no entanto as que fazemos nunca chegam, até ao fim da nossa vida é necessário treiná-las intensamente, e começando sempre pelo básico. Do mesmo modo posso aplicá-la à minha vida – tentar sempre, e se por algum motivo ela me for madrasta, tentar de novo. A perfeição não existe mas podemos tentar… Compreendi o auto-domínio, como sendo algo complicado de atingir na sociedade em que vivemos. O stress que nos é imposto pela vida que levamos não permite que se exerça um domínio sobre nós próprios – nós queremos explodir, libertar a tensão acumulada, gritar e por vezes desaparecer para um local bem escondidinho onde ninguém nos possa encontrar. No entanto esse é um luxo a que não nos podemos dar. Por isso este é um factor importante no treino físico e mental do Taekwondo. O auto-domínio atinge-se com o treino e com a prática, mas é o libertar de toda a tensão no treino através dos pontapés, socos, poomsaes e até da meditação que nos permite reconquistar o controlo mental. No entanto, o controlo físico também é difícil de gerir – um pontapé mal calculado pode incapacitar para sempre um colega ou adversário – e é esse controlo que é treinado e testado intensamente nos nossos treinos. Compreendi o espírito indomável, representa toda a força interior que aplicamos naquilo que fazemos. É o que nos faz acreditar que somos capazes de ultrapassar todas as agruras do nosso percurso. Se tudo o que fizermos – seja um projecto pessoal ou um pontapé difícil – for feito com uma vontade inigualável e poderosa, é quase certo que atingiremos o nosso objectivo. Mas mesmo que não consigamos atingi-lo, tentámos com todas as nossas forças… e isso por vezes vale muito mais.

Outro aspecto fundamental no Taekwondo, é o interesse que desperta a cultura Coreana. Antes de se começar a praticar o Taekwondo quase ninguém demonstrou interesse em conhecer o quer que seja sobre a Coreia, apenas se sabe que “é um País do oriente, ao lado da China e que está dividida politicamente em duas”. Após o início da prática, o interesse cresce e as pesquisas na Internet intensificam-se. E os resultados obtidos são surpreendentes, pois entramos numa cultura muito diferente do que estamos habituados e que nos vai levar a entender uma arte marcial que representa na perfeição essa cultura.

O povo Coreano sempre foi um povo oprimido por guerras e invasores. Toda a sua História está marcada por divisões internas, reinos dispersos, invasões, guerras sangrentas e misturas culturais. Tudo isto contribuiu para que o povo Coreano seja extremamente patriótico e tenha um enorme orgulho na sua cultura. Assim, o Taekwondo, arte marcial nascida da necessidade do povo Coreano se defender dos invasores, tem presente imensos símbolos da cultura Coreana. Essa simbologia está presente na bandeira (“TaekGuk’ki”), no fato (“do bok”), no protocolo (juramento ou “kwan won san so”, as saudações, o respeito), nas várias referências taoístas, no próprio treino e exercícios executados (resultado de misturas culturais diversas), e por fim no espírito de grupo, união e amizade existente entre os praticantes.

A compreensão do Taekwondo como filosofia, passa por aprender, compreender e viver todos estes pressupostos enumerados até aqui. Compreender e absorver os princípios do Taekwondo, viver a prática apaixonadamente, e respeitar e aplicar a simbologia da cultura Coreana, são o meio para se atingir o fim desejado... O de ser um VERDADEIRO Taekwondoca.

NÓS - o primeiro inimigo

...aquele que conhece o inimigo e a si mesmo, lutará cem batalhas sem perigo de derrota;

para aquele que não conhece o inimigo, mas conhece a si mesmo, as hipóteses para a vitória ou para a derrota serão iguais;

aquele que não conhece nem o inimigo e nem a si próprio, será derrotado em todas as batalhas...

SUN TZU – “ A ARTE DA GUERRA”